Diário da Noite: Dados “curiosos e elucidativos” sobre a entrada de imigrantes entre 1941 e 1945

Trecho da edição de 29 de junho de 1948 do jornal Diário da Noite
No dia 29 de junho de 19481 o jornal Diário da Noite – do grupo Diários Associados – dá publicidade ao Anuário Estatístico do Brasil no que diz respeito aos imigrantes. O documento, diz a matéria na página dez, afirma que o documento possui “interessantes dados” a respeito da entrada de estrangeiros no país entre 1941 e 1945, quando “recebemos dezenove mil estrangeiros”. Os estudos, que indicam dados como nacionalidade, profissões e a localização “desse reduzido número de imigrantes”, são – conforme a nota descreve – “curiosos e elucidativos”.
Para o Diário, os dados mostram “a inoperância dos órgãos e conselhos, numerosos e caros, de que dispomos para cuidar desse problema de importância vital para os nossos destinos”. Quase 50% dos imigrantes no período, acrescenta a nota, eram de nacionalidade portuguesa, seguindo-se de norte-americanos e japoneses. Os segundos não eram propriamente imigrantes, diz o jornal, mas funcionários e militares, que “permaneceram em nosso país durante a guerra, nas guarnições e nos diferentes e abundantes serviços administrativos que nossa aliança com os Estados Unidos exigiu desde a primeira hora, para conjugação dos esforços contra o Eixo”.
Mais curioso ainda, acrescenta a nota, é o “resultado das verificações relativas às profissões e ao destino desses imigrantes”. O jornal destaca que 60% ficaram no Distrito Federal (no Rio de Janeiro, nessa época) pois “exerciam profissões urbanas”. Agricultores, lamenta o texto, “quase não os havia, senão apenas onze por cento”. Técnicos, “uns por cento”. E acrescenta: “Para a lavoura foram, apenas, os japoneses”.
“Realmente elucidativos do fracasso completo de nossa política imigratória são esses dados, apurados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística”, critica o jornal, que conclui: “Considere bem o leitor que, dos quase dezenove mil imigrantes entrados durante cinco longos anos, sessenta por cento ficou no Distrito Federal, e apenas onze por cento eram agricultores. Decididamente, vamos muito mal…”.
NOTA
1 Disponível em http://memoria.bn.br/DocReader/Hotpage/HotpageBN.aspx?bib=221961_02&pagfis=45048&pesq=&url=http://memoria.bn.br/docreader#