O que é “mercadoria” para Marx?
Por Gustavo Barreto (*)
KONDER, Leandro. "Mercadoria". In: Marx – vida e obra. São Paulo: Paz e Terra, 1999, p.121-122.
Mercadoria é o que se produz para o mercado, isto é, o que se produz para a venda e não para o uso imediato do produtor.
A produção de mercadorias já existia antes do capitalismo ter começado a existir, mas foi o sistema capitalista que a generalizou. Ao se expandir, o capitalismo foi estendendo o sistema de produção para o mercado às mais diversas áreas. Em certo sentido, devemos dizer que o capitalismo foi o regime que mercantilizou a vida humana.
Tudo o capitalismo foi transformando em mercadoria. Tudo ele foi reduzindo a um valor que pudesse ser medido em dinheiro. Os ingênuos ideais do feudalismo foram sendo destruídos pela ditadura prática do dinheiro. O dinheiro foi profanando todos os cultos e tornando relativos todos os valores.
A própria força humana do trabalho – em lugar de ser reconhecida e valorizada como o meio essencial que o homem possui para a livre criação de si mesmo – foi, por toda parte, sendo transformada em mercadoria.
Por outro lado, uma vez que o trabalhador não produz a mercadoria para seu uso e sim para o mercado, uma vez que o produto de seu trabalho escapa totalmente ao seu controle e parece adquirir vida própria, o processo de produção e circulação das riquezas se obscurece e foge ao entendimento espontâneo do homem normal. "O processo da produção passou a dominar o homem, ao invés de ser dominado por ele", escreve Marx.
As leis do mercado se impõe ao trabalho. Os preços, as cifras e as taxas de lucro comandam as operações. Os seres humanos figuram no quadro da produção apenas como instrumentos.
O movimento das coisas no mercado aparece como um movimento automático, superior à vontade dos homens. A própria linguagem cotidiana reflete isso. É comum ouvirmos frases assim: "o trigo subiu", "o café baixou", "o açúcar desapareceu", "a banha vai voltar" etc.
Os economistas da escola fisiocrata chegavam a estudar os fenômenos da economia como se estes se regulassem por uma lei natural. Adam Smith acreditava, por sua vez, que tais fenômenos manifestavam a ação de uma "mão invisível". Como no sistema capitalista a atividade produtora não se exerce em termos humanamente racionais, ela é levada a cair sob a jurisdição de uma racionalidade inumana.
A ação humana e as condições sociais em que ela se realiza assumem a aparência de uma fatalidade. A mercadoria não é vista como a expressão de um trabalho humano concreto. A verdadeira significação é oculta sob uma forma destinada a impedir que os homens vejam na economia uma realidade que eles criaram e podem sempre modificar. Essa forma constitui aquilo que Marx chamou de o fetichismo da mercadoria.
(*) Gustavo Barreto (@gustavobarreto_), 39, é jornalista, com mestrado (2011) e doutorado (2015) em Comunicação e Cultura pela UFRJ. É autor de três livros: o primeiro sobre cidadania, direitos humanos e internet, e os dois demais sobre a história da imigração na imprensa brasileira (todos disponíveis clicando aqui). Atualmente é estudante de Psicologia. Acesse o currículo lattes clicando aqui. Acesse também pelo Facebook (www.facebook.com/gustavo.barreto.rio)
Gostei muito do post. Bem resumido, mas cheio de informações.
Parabéns
sou estudante de serviço social,o texto está objetivo,pequeno e ajudou bastante inclusive de perceber que para o capitalismo tudo é transformado em dinheiro. parabéns
Amei o texto, bem resumido…