O “pacto de ociosidade” dos imigrantes alemães no Brasil do século XIX

Por Gustavo Barreto (*)
Na foto, da Fundação Biblioteca Nacional, colonos alemães em 1869 (sem local determinado).

Na foto, da Fundação Biblioteca Nacional, colonos alemães em 1869 (sem local determinado).

O registro é do Jornal do Commercio de 2 de agosto de 1855: não era incomum o desentendimento entre fazendeiros e os primeiros trabalhadores estrangeiros – livres – no Brasil. Um dos casos se deu com os alemães no litoral fluminense, próximo à divisa com São Paulo, em uma fazenda chamada Martim de Sá. Os registros históricos dão conta da chegada de 67 colonos na fazenda em 1852.

Estes alemães, oriundos de Hamburgo, não teriam se acostumado com os “costumes” locais: maus-tratos, ausência de direitos e a profunda desigualdade no tratamento. Com os escravos os fazendeiros estavam acostumados: fugiam ou incendiavam os canaviais, entre outros métodos de resistência. Os alemães, no entanto, decidiram agir diante dos desmandos de forma quase que inédita.

O fazendeiro ficou confuso – nunca vira nada parecido. A prática sequer tinha nome. Foi aí que ele resolveu nomear essa típica greve de trabalhadores rurais: chamou-a de “pacto de ociosidade”.

No censo de 1872, o primeiro de abrangência nacional, os alemães era o terceiro grupo mais numeroso de imigrantes no Brasil, 46 mil, perdendo apenas para os africanos livres e escravos (183 mil) e para os portugueses (121 mil). Na foto, da Fundação Biblioteca Nacional, colonos alemães em 1869 (sem local determinado).

PARA SABER MAIS

ALENCASTRO, Luiz Felipe de. e RENAUX, Maria Luiza. Caras e modos dos Migrantes e Imigrantes. In: ALENCASTRO, Luiz Felipe de. (org) História da Vida Privada no Brasil 2: Império. São Paulo: Cia das Letras, 1997.p. 294.

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(*) Gustavo Barreto (@gustavobarreto_) é jornalista. Acesse também pelo Facebook (www.facebook.com/gustavo.barreto.rio)

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