Dez mil emigrantes europeus por mês transportados por organismo internacional, revela diário carioca em 1957

Por Gustavo Barreto (*)
Trecho da edição de 15 de janeiro de 1957 do jornal A Noite

Trecho da edição de 15 de janeiro de 1957 do jornal A Noite

A edição de 15 de janeiro de 19571 do jornal A Noite publica o “balanço preliminar” dos cinco anos de operações do Comitê Intergovernamental para as Migrações Europeias (CIME), a principal organização europeia do tipo nesta época. O CIME anunciou, observa o jornal de orientação governista, que entre 1o de fevereiro de 1952 e 31 de dezembro de 1956 foram “movimentados, sob os seus auspícios, 536.000 emigrantes europeus”.

Do total, 54 mil teriam vindo para o Brasil, continua o diário carioca. O número global de 536 mil não inclui ainda – sem ser informado o motivo – os refugiados húngaros “transportados da Áustria para diversos países” em novembro e dezembro de 1956, um total de 88 mil pessoas. A Itália (174 mil), Alemanha (168 mil), Áustria (51 mil), Grécia (42 mil) e os Países Baixos (39 mil) foram os países com mais pessoas transportadas, segundo revelou a organização.

Na América Latina, como de praxe, a Argentina (63 mil) recebeu três vezes mais refugiados que os dois países que vêm em seguida: Brasil e Venezuela, ambos com cerca de 21 mil. A média mensal do período, calcula o jornal, é de 10 mil imigrantes transportados pelo CIME por mês.

NOTA

1 Disponível em http://memoria.bn.br/docreader/DocReader.aspx?bib=348970_05&PagFis=40341&Pesq=

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(*) Gustavo Barreto (@gustavobarreto_) é jornalista. Acesse também pelo Facebook (www.facebook.com/gustavo.barreto.rio)

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