Como enfrentar a baixa do preço do café? ‘Introdusir o maior numero de braços que for possível para se alcançar com ella a baixa do salario’, dizem os deputados paulistas

Por Gustavo Barreto (*)
Imigrantes em uma fazenda de café em São Paulo no início do século XX, registro do Museu Histórico Ernesto Ricciardi. Imagem disponível em http://bit.ly/VMb858

Imigrantes em uma fazenda de café em São Paulo no início do século XX, registro do Museu Histórico Ernesto Ricciardi. Imagem disponível em http://bit.ly/VMb858

O jornal O Estado de S. Paulo publica em sua edição de 20 de julho de 1899 – e com destaque na primeira página – a transcrição de uma sessão da Câmara dos Deputados em que um membro do legislativo – Joaquim Alvaro – propõe projeto de lei reformando o sistema de introdução de imigrantes no Estado de São Paulo.

Segundo o próprio legislador, dois eram os principais objetivos da PL: trazer uma “grande economia” aos cofres públicos, em primeiro lugar; a promoção da “transição de immigração subvencionada per capita para a immigração por concorrencia livre”, em segundo lugar; e a posterior “transição dessa concorrencia livre para a immigração espontanea”.

Com o sistema de concorrência livre, diz o deputado citando o próprio projeto em seu artigo primeiro, “tambem teremos maior numero de propagandistas em nosso favor, porque cada companhia terá o interesse immediato em augmentar o numero de suas passagens movidas pelo proprio interesse”.

O segundo artigo do projeto determina que o governo acordará com as empresas interessadas uma “porcentagem com que concorrerá o Estado para pagamento das passagens aos immigrantes, podendo mesmo fazer pagamento integral si assim julgar necessario”.

“É innegavel” – argumenta o deputado – “que os extrangeiros estabelecidos entre nós vão prosperando entre nós dia a dia, dando á sua família um bem estar que muito difficil seria de alcançar em sua patria. E quando aqui localizados fazem-se proprietarios realizando assim as suas mais gratas esperanças”. Com isso, conclui, “tornam-se os melhores propagandistas da emigração para o nosso Estado, chamando para aqui os seus parentes e amigos que, auxiliados e localisados por seus conselhos, tornam-se tambem os melhores e aptos para concorrerem mais efficazmente para o progresso do nosso Estado e desenvolvimento da nossa riqueza”.

Colheita do Café, provavelmente no Rio de Janeiro. Foto: Marc Ferrez, 1899. Acervo FBN

Colheita do Café, provavelmente no Rio de Janeiro. Foto: Marc Ferrez, 1899. Acervo FBN

O debate não encontra adversidade. Por vezes, Joaquim Alvaro é interrompido por parlamentares que fazem comentários favoráveis ao projeto ou acrescentam informações ao argumentos do autor. Sobre a questão dos parentes, afirma o parlamentar que o último relatório do fiscal da imigração em Nápoles “accusa o elevado numero de mais de quinhentos chamados”.

“Diariamente registram-se chamados”, acrescentou Américo de Campos, que já fora o diretor e redator do Correio Paulistano, fundador do Diário Popular em 1884, primeiro cônsul do Brasil em Nápoles no período republicano e, juntamente com Francisco Rangel Pestana, fundador do próprio O Estado de S. Paulo, que na época, em 1875, chamava-se A Província de S. Paulo.

Para estes – os chamados – o deputado propôs o pagamento integral da passagem, pois não é “tal a nossa situação que por si baste para avolumar a corrente de immigração para este Estado”, acrescentando que “são necessarios certos favores e regalias”. O autor do projeto propõe ainda “a facilidade de localisação e o fornecimento de instrumentos necessarios para a lavoura ás familias quando localisadas”. A situação citada por Alvaro diz respeito a uma crise internacional em relação ao principal produto agrícola à época, o café, que tanto São Paulo quanto Rio de Janeiro e Minas Gerais experimentavam desde 1896.

Para o deputado, a crise está ligada a dois “fatos”: a diminuição necessária no preço da produção e o aumento do consumo da nossa principal cultura. E qual a solução, segundo o deputado autor da proposta?

“Para diminuir o preço da producção será necessario applicar os principios da mechanica e da chimica agricola, tratar de introdusir o maior numero de braços que for possível para se alcançar com ella a baixa do salario; só assim poderemos ter um custo de producção de accordo com a má posição em que se acha actualmente nos mercados consumidores o único genero que representa a nossa riquesa [o café]”, deixando “algum lucro ao productor”. Um dos “direitos” dos imigrantes, conforme o parágrafo sexto do artigo quinto do projeto de lei, é à sua repatriação nos casos de invalidez ou orfandade.

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(*) Gustavo Barreto (@gustavobarreto_) é jornalista. Acesse também pelo Facebook (www.facebook.com/gustavo.barreto.rio)

2 pitacos sobre “Como enfrentar a baixa do preço do café? ‘Introdusir o maior numero de braços que for possível para se alcançar com ella a baixa do salario’, dizem os deputados paulistas

  1. Gostaria de parabenizar a aiuttde ditadora e coronelista desse senhor que se tem o nome de Antonio Moraes. (dito que a ditadura militar foi extinta desde 1984).Venho expor a indignae7e3o de um simples cidade3o arrogante, impotente e livre. Isso foi mais um tedpico jogo poledtico de um homem que leva o seu tre1fico de influeancia para fazer desse ato, um ato atrasado de coronelismo em cidade pequena. Onde ne3o tivemos nota nenhuma com antecedeancia mednima de 2 dias, nem a divulgae7e3o por parte da imprensa de macaparana (que por sinal deveria ser livre e sem permissividade, assim como todas as imprensas), na prf3pria conpass e tambe9m em um jerico-falante para divulgar a anulae7e3o na cidade. Pois se for anulado abrindo novas inscrie7f5es com outra organizadora ou talvez a abertura de mais vagas na prf3pria conpass. Constato que mais uma vez havere1 fraude por parte do mais novo “capacho” eleito do senhor “corone9” Antonio Moraes. Isso e9 algo repugnante

  2. Coucou, c’est Nina !! J’ai une petite astuce pour arrété de se ronger les ongles. Un jour, vous vous dites que vous arrété vos deux pouces, deux jours aprés, vous vous dites d’arrété deux autres doigts… Pour moi ça a marché pendant quelques jours mais j’ai craqué. J’éspère que vous, vous allez pas faire pareil que moi si vous éssayer !! Bonne chance !! Nina

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