Carta de “um brasileiro de coração” no Diário do Rio de Janeiro em 1838

Por Gustavo Barreto (*)
Diário do Rio de Janeiro, trecho da edição de 27 de janeiro de 1838

Diário do Rio de Janeiro, trecho da edição de 27 de janeiro de 1838

O sentimento nacional, ou pelo menos sua construção viva, já transparece nos artigos da imprensa, como fica claro por exemplo em uma correspondência publicada pelo Diário do Rio de Janeiro, em sua edição de 27 de janeiro de 18381, e assinada por “um brasileiro de coração”, sem o nome do autor. Conforme temos visto, a nacionalidade efetivamente brasileira foi formada ou, pelo menos, reforçada a partir da contraposição ao estrangeiro, de acordo com o Outro eleito política e ideologicamente.

O autor da carta informa, em tom irônico, ser um “propenso a sonhos”, relatando que acordara há pouco de um sonho em que o então ministro dos Negócios Estrangeiros, Maciel Monteiro, havia exigido do Encarregado de Negócios dos Estados Unidos na Corte uma satisfação pelo “insulto feito á nação pela corveta [navio de guerra] americana, que está na Bahia”. Como alguns sonhos se realizam, ironiza, “eu vou perguntar-lhe se sabe alguma coisa a este respeito”.

A redação do jornal dá uma resposta curiosa: nada sabe a respeito, assegurando, no entanto, que o governo “tem encarado com attenção este negocio”. Com efeito, completa a resposta, “basta de sermos ludibriados por estrangeiros, que não sabem retribuir-nos aquella amisade, e respeito, que lhes consagramos”.

NOTA

1 Disponível em http://memoria.bn.br/docreader/DocReader.aspx?bib=094170_01&PagFis=17723&Pesq=extrangeiros

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(*) Gustavo Barreto (@gustavobarreto_) é jornalista. Acesse também pelo Facebook (www.facebook.com/gustavo.barreto.rio)

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